Seminário Internacional “Ciência e Tecnologia na América Latina A Universidade como Promotora do Desenvolvimento Sustentável”,  Unicamp - Campinas - SP, 30/07/2004

 

A Engenharia Física e a inovação tecnológica.

 

José Marques Póvoa  - povoa@df.ufscar.br

Fernando M. Araújo-Moreira  - faraujo@df.ufscar.br

Hamilton Viana da Silveira  - silveira@df.ufscar.br

Universidade Federal de São Carlos

Departamento de Física

Via Washington Luiz, km 235

13 565-905 - São Carlos - SP

 

Resumo

Somente com um adequado desenvolvimento científico e tecnológico o crescimento dos países poderá ser alavancado. O engenheiro com uma formação que o capacite a aprender com, e para, a demanda que o futuro vai lh impor, será fundamental para implementar esse desenvolvimento. Uma boa formação acadêmica é um requisito para a construção da qualificação profissional, pois esse engenheiro deverá ser tornar um eterno aprendiz, estar capacitado a criar e aplicar conhecimentos, promover a pesquisa cooperativa com empresas através do apoio em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e ainda se converter nas sementes de empresas nas áreas de Física, Engenharias, Biologia, etc. Procurando contribuir para a formação desse engenheiro criamos na UFSCar, no ano de 2000, o primeiro curso de Engenharia Física do Brasil. Esse curso tem por objetivo formar multiespecialistas com ampla preparação nas áreas de aplicações da física contemporânea. Essa formação está focalizada no conhecimento, onde o importante não é o que se sabe fazer, mas a capacidade de inovar.

 

1. Introdução

 

Vivemos em uma época em que a sociedade está passando por enormes desafios para enfrentar as imensas transformações sociais que ocorrem. Novos conhecimentos tem sido gerados a uma velocidade espantosa, e muitos deles têm sido convertidos em produtos graças aos avanços tecnológicos que atuam fortemente na organização da sociedade.

            Hoje, com o mundo globalizado, esses conhecimentos migram de um país para outro, trazendo junto com eles, transformações muitas vezes inimagináveis para aquela sociedade. As organizações, e países têm sofrido enormes impactos provocados pelas novas tecnologias.

            O Brasil vive um dilema, onde por um lado necessita equacionar muitos problemas sociais gerados principalmente pelas desigualdades sociais, pelo outra, precisa investir em educação em ciência e no desenvolvimento de tecnologias que nos propicie a produção de inovações tecnológicas. O conhecimento se torna fator fundamental na geração de riquezas e o do bem estar social. O conhecimento passa então a ser um dos maiores bens de qualquer nação e até mesmo de muitas organizações atuais.

            Até pouco tempo atrás, acreditava-se, ou tentava-se fazer acreditar, que os países em desenvolvimento que dispunham de recursos naturais, deveriam utilizar deles para resolver seus problemas sociais. Para os países desenvolvidos restava a “tarefa” de desenvolver tecnologias que visassem a inovação. Se o Brasil não quiser continuar a pertencer ao 3º mundo (alguns dizem o 2º, mas nunca o 1º ) devemos enfrentar esse desafio de gerar riquezas com o conhecimento. Isso só será possível se houver indivíduos capacitados para participarem do desenvolvimento e implementação das inovações necessárias, dentre esses indivíduos, destaca-se o papel do engenheiro do futuro, que com seus conhecimentos poderá, e deverá, atuar não só no desenvolvimento das tecnologias, mas também na política de implementação dessas tecnologias.

            Foi pensando em contribuir com esses novos desafios, que no ano 2000 criamos na UFSCar primeiro curso de Engenharia Física do Brasil. Esse curso visa basicamente formar engenheiros capacitados a atuarem nesse mundo onde a tecnologia e a inovação serão os insumos básicos para o progresso.

 

2. Ciência e a tecnologia

 

            A Ciência, da forma que a conhecemos hoje existe há cerca de 350 anos; a tecnologia, como fator preponderante na industria e na economia, há 200 anos. Apesar desse curto tempo, tem demonstrado o quão forte e importante tem sido para o desenvolvimento da humanidade. Hoje vivemos em uma sociedade científico-tecnológica onde o conhecimento científico e a tecnologia, afetam a vida diária da sociedade em geral.

Até poucas décadas atrás, a distância entre a pesquisa fundamental e as suas aplicações (i.e., a engenharia associada) era muito grande. Para se ter uma idéia da evolução dessa distância, Michael Faraday descobriu a indução eletromagnética em 1835 e o uso desse fenômeno físico básico para gerar eletricidade demorou quase 50 anos. Da mesma maneira aconteceu com a energia nuclear, a supercondutividade e outros fenômenos menos conhecidos popularmente, porém de enorme importância para a nossa civilização. Atualmente, os intervalos entre uma descoberta e sua aplicação estão cada vez menores, a ponto de, muitas vezes, não ser possível detectá-la claramente. A tecnologia, hoje, é muito intensiva e dependente fortemente do conhecimento científico. Da mesma maneira, a exploração científica é cada vez mais dependente de instrumentos sofisticados, frutos de desenvolvimento tecnológico. Assim, a interdependência entre elas é enorme, e o bom relacionamento entre ambas é fundamental para o avanço da sociedade em todos seus aspectos.

Em particular o extraordinário desenvolvimento que experimentou a Física no século XX deu origem às diversas divisões que constituem a chamada Física Moderna. Porém, foi somente a partir da segunda metade do século XX que foram feitas as principais descobertas e invenções que resultam nas aplicações destas ciências. Como apresentado por PIRRO E LONGO (2004)

“Dentro de dez anos estaremos usando 50% de bens e serviços que, hoje,  ainda não foram inventados.                                     ( De Brochard, 1986 )

“..

"..nos próximos dez anos trarão mais mudanças tecnológicas que o século XX todo, e os governos serão incapazes de acompanhá-las.             (Hart-Rudman Presidencial Commission, 2000)"

            Assim, já estão surgindo novas descobertas que darão origem a novas tecnologias que permitirão o desenvolvimento dos novos produtos de consumo. Apesar do extraordinário avanço verificado em ciência e tecnologia nas últimas décadas, os próximos anos serão extremamente mais ativos – e produtivos – que os anteriores. Hoje temos a nítida sensação de que tudo que utilizamos foi inventado/produzido no século XX. Para que em 10 anos ocorram mais mudanças tecnológicas do que em todo o século XX muitos desenvolvimentos tecnológicos deverão ser feitos.

A globalização de empresas e mercados, associada às novas exigências de comércio e consumo em termos de qualidade e satisfação do cliente, levou ao aparecimento de processos e procedimentos de engenharia com alto conteúdo inter e multidisciplinar, e "novos profissionais" que consiga transformar o conhecimento hoje multidisciplinar em riquezas e de bem estar social tem sido requeridos pela sociedade continuamente.

 

3. Inovação tecnológica

 

            A pressão de novas tecnologias sobre a sociedade não é um fato novo. A história mostra que avanços técnicos sempre têm forçado mudanças no funcionamento das organizações e da sociedade em geral, mas desde a Revolução Industrial as organizações constituem o principal foco dessas mudanças. Com o advento da informática e fim de um período rico em oportunidades de emprego do pós-guerra, a tecnologia passou a ser encarada por alguns como uma ameaça, fato este que tem contribuindo para dificultar a implantação de inovações tecnológicas em muitas organizações.

O paradigma marcante da sociedade atual baseia-se na velocidade das informações e no domínio do conhecimento.

O avanço científico e tecnológico recente resultou no aprofundamento do conhecimento de poucos e no aumento da ignorância da maioria. Isso é causando principalmente pela deficiente educação científica e tecnológica que o país propicia à população

            Estamos vivendo, no Brasil, um dilema de difícil solução: a sobrevivência das organizações versus a sobrevivência dos empregos. Sem inovações tecnológicas as organizações perdem a competitividade nesse mundo globalizado e conseqüentemente diminui sua demanda pelo trabalho. Com as inovações muitos empregos e, até mesmo, funções são extintas fazendo com que os indivíduos tenham que se adaptar às novas funções e/ou empregos (quando conseguem um).

Nesse mundo onde a dinâmica é ditada pela geração contínua de inovações tecnológicas baseadas, principalmente, em conhecimentos científicos, só permanecerão empregados o “novo operariado” com grande capacidade de se adaptarem e aprenderem (grande parte, engenheiros).

De acordo com o prof. Pirro e Longo (2004)  "O analfabeto do novo milênio não será quem não souber ler e escrever, mas sim aquele que não souber aprender, desaprender e reaprender

". O analfabeto no futuro estará fadado a não ter trabalho, e para manter-se com trabalho os profissionais deverão se tornar eternos estudantes, a educação continua será indispensável a esse profissional".

            Sem esse "novo profissional" a inovação tecnológica em qualquer país dificilmente ocorrerá, e esse país se prestará a produzir bens sem valores agregados, fornecendo aos países desenvolvidos matéria prima e produzindo bens que freqüentemente envolvem um desgaste muito grande para os indivíduos e para o meio ambiente.

            Apesar de muito difundido, o conceito de inovação tecnológica ainda não está completamente internalizado em nossas instituições. Serão necessários muitos esforços até que se tenha no Brasil um sistema nacional de inovação forte e consolidado que atenda às necessidades nacionais, não inviabilizando a nação e suas organizações na competição global. Novas iniciativas emergem diariamente apesar das vozes do passado que se contrapõem ao entusiasmo crescente dos que vislumbram o futuro (CALDAS, R.A. at all )

   .        A inovação tecnológica se dará muito mais facilmente se houver um esforço das organizações publicas e/ou privadas, visando aperfeiçoar as gestões estratégicas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia que propiciem essa inovação e contribuam com o desenvolvimento social. As organizações nacionais não podem se contentar com os desígnios do subdesenvolvimento. Essas organizações deverão se capacitar para ter acesso e domínio dos últimos avanços tecnológicos, se quiserem diminuir a nossa defasagem econômica em relação aos países mais desenvolvidos, conseguindo com isso galgar posições competitivas no mundo globalizado. Deverá também existir uma política de educação científica e tecnológica em massa para que possamos nos capacitar para a inovação.

            Nesse mundo globalizado corremos um sério risco de continuarmos subdesenvolvidos se  as sociedades materialmente mais avançadas decidirem que já têm o suficiente de progresso material e se voltarem para outros valores. Elas poderão tentar impedir desenvolvimento de outros países, e/ou no máximo permitirão que esses países adquiram deles tecnologias que possam ser controladas, impedindo que se desenvolvam e adquiram capacidade de gerar inovações. Se o país realmente pretende desenvolver, deve implementar políticas que criem bases para a potencialidade nacional, tanto em ciência quanto em tecnologia, e para isso a gestão do governo sobre o investimento é indispensável.

Um outro srio risco que o país em desenvolvimento (ou subdesenvolvido) poderá enfrentar será; como acúmulo de capital não se dá necessariamente onde está a fábrica, mas normalmente onde fica o cérebro da mesma, podemos, se não nos precavermos, nos tornar meros fornecedores de  "mão de obra barata"  para produzir alimentos, maquinas, recursos naturais para os países desenvolvidos, geralmente comprometendo o meio ambiente e também o desenvolvimento social..

 

4. A engenharia na inovação tecnológica

 

Com o mundo globalizado, a engenharia sofreu e continua sofrendo profundas alterações. Em particular a formação dos futuros engenheiros tem motivado muitas discussões visando adequar essa formação às necessidades do novo engenheiro. Cada vez em maior velocidade tem sido requerido da engenharia que transforme os conhecimentos na geração de riquezas e de bem estar social. O conhecimento passa a ser um dos maiores bens de qualquer nação e até mesmo de muitas organizações atuais.

A ciência, no momento atual, não é só um bem cultural, mas é a base do desenvolvimento econômico; a moderna tecnologia apóia‑se no conhecimento científico. O “engenheirar”, transformar o conhecimento em novos processos e produtos, assume um papel importantíssimo nesse contexto.  Apesar dessa importância, no Brasil, apenas 10% dos alunos de graduação estão nos cursos de engenharia, e 45% desses estão no curso de Engenharia Civil.  Novos cursos se fazem necessários nas modalidades já existentes e certamente em outras.

No que diz respeito à qualidade dos cursos de engenharia do Brasil, um relatório apresentado em agosto de 2002 ao Ministério de Ciência e Tecnologia[1]  (p. 39), fez a constatação transcrita a seguir:

“A Engenharia no Brasil atingiu alto nível em vários campos, como, por exemplo, as Engenharias Civil, Elétrica, Eletrônica, Materiais, Mecânica e Química.  A Engenharia Civil brasileira está entre as mais avançadas.

Na tecnologia do concreto armado, o Brasil se situa entre os países de vanguarda, o que permite às vezes soluções arrojadas.  A Engenharia Mecânica também é das mais adiantadas, com sucessos que chamam a atenção do resto do mundo, por exemplo, nas construções para exploração do petróleo em águas profundas e na indústria aeronáutica.

Em Engenharia Eletrônica há formação de profissionais competentes que operam em diversas áreas, desde controle industrial até telecomunicações

Além de formar bons profissionais nesses setores, tem-se necessidade de um novo tipo de engenheiro com formação científica sólida, que possa atuar em novas áreas, educado em um ambiente de estimulante pesquisa científica e tecnológica...”

As discussões sobre a formação do engenheiro adequado à sociedade atual multiplicam-se em congressos e seminários, não só no Brasil, mas em todo o mundo.

 

Um novo engenheiro precisa ser formado para enfrentar uma sociedade cambiante não só do ponto de vista científico‑tecnológico, mas também em outros aspectos. Ele necessariamente terá que ter uma sólida base em ciências básicas (física, química e matemática).  Terá que se preparar para aprender de forma autônoma, a partir das mais diferentes fontes de informação, selecionando‑as por critério de relevância, rigor e ética.  Terá que dominar o processo de produção e divulgação de novos conhecimentos, tecnologias, serviços e produtos.  Precisará ter visão de realidade, preparo para enfrentar o desconhecido, capacidade de produzir/criar, facilidade para interagir com outras pessoas/áreas, sensibilidade para a questão ambiental e o exercício da cidadania.

O novo engenheiro precisa ser capacitado a criar e aplicar conhecimento, promover a pesquisa cooperativa com empresas através do apoio em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e ainda se converter nas sementes de empresas nas áreas de Física, Engenharias, Biologia, etc. Muitos desses engenheiros deverão atuar no desenvolvimento de alta tecnologia em uma relação íntima com a tecnologia e a ciência (BRITO-CRUZ – 2002). É nesse nicho de mercado que atua a grande maioria dos Engenheiros Físicos no mundo.

4.1. A Engenharia Física na Inovação Tecnológica

O Engenheiro Físico é um profissional atuante no domínio da Engenharia e da Tecnologia Física, particularmente em áreas de grande impacto tecnológico.

De acordo com Brito-Cruz (maio 2000) “no Brasil só 0,1% da força de trabalho atua em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) enquanto que, por exemplo, nos EUA e Japão essa porcentagem é de quase 0,8%; na Coréia do Sul, um de nossos competidores por mercado de produtos de alta tecnologia, essa porcentagem chega a 0,4%. Na média dos países desenvolvidos, essa media é de 0,54%”. A baixa taxa de atuação da população brasileira em trabalhos relacionados à Pesquisa e Desenvolvimento destaca a importância da continuidade às políticas de formação de engenheiros e cientistas para atuarem em C&T, esse sim papel das Universidades.

O desenvolvimento cientifico e tecnológico do interior do Estado de São Paulo já se destaca no cenário nacional há varias décadas, onde várias universidades e centros de pesquisa têm se desenvolvido de maneira acelerada, em particular em Campinas (Unicamp, LNLS, CPqD, etc.) e em São Carlos (UFSCar, IFSC-USP, IQSC-USP, Embrapa, etc.). Nessas regiões também tem sido notável a integração que centros acadêmicos e de pesquisa alcançaram com as empresas e indústrias de alta tecnologia. Essa integração fez com que, já no final dos anos 70, se criasse em Campinas a Companhia de Desenvolvimento Tecnológico (Codetec), ligado à Unicamp, (SIMONE PALLONE 2001), e com o objetivo de desenvolver um estreito contato com a indústria. A idéia era estabelecer um parque científico, inspirado no exemplo da Universidade de Stanford, que combinasse os elementos facilitadores de uma incubadora - como a transferência de tecnologia da universidade para a empresa e os empreendimentos de capital de risco.

Em 1988 foi criado em São Carlos a primeira incubadora de Empresas de Base Tecnológica do país: a Fundação Parque de Alta Tecnologia[2] – ParqTec. Essa Fundação já apoiou mais de 30 empreendimentos e tem por objetivo estimular a criação e consolidação de empresas a partir da transferência do conhecimento gerado nas universidades e centros de pesquisa locais. Este modelo de incubadora implantado em São Carlos serviu de exemplo para o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) criar sua rede de 50 incubadoras de empresas no país.

Em 1995, teve início projeto de criação do São Carlos Science Park, com o objetivo de abrigar laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, além das empresas de base tecnológica. Nesse espaço será instalada uma nova incubadora com 64 módulos para empresas nascentes e o Centro de Modernização Empresarial. Estão previstos, também, a construção de um centro de convenções, mostras e feiras, além de prédios para finalidades múltiplas, destinados ao uso de empresas já consolidadas. O São Carlos Science Park contará, ainda, com um conjunto de lotes para as empresas de base tecnológica construírem suas instalações.

Dessa maneira, a região de São Carlos, dado o seu caráter tecnológico e inovador, foi o ambiente ideal para colocar à disposição um engenheiro multiespecialista, como é o engenheiro físico, hoje em formação, com forte aptidão para trabalhar nas diferentes áreas relacionadas com a alta tecnologia.

Em particular, o engenheiro a ser formado pelo Curso de Engenharia Física da UFSCar está sendo preparado e conscientizado para ser um profissional generalista, com sólida base científica e técnica nas diferentes áreas da ciência (Física, Química, Matemática); apto à pesquisa, ao desenvolvimento e apoio tecnológico; capaz de introduzir/desenvolver, num contexto empresarial, novos processos e produtos, localizando/solucionando problemas das diversas áreas da tecnologia moderna, particularmente daquelas de grande impacto tecnológico em que Física Moderna está envolvida.  Ele estará preparado para levar em conta, nas soluções dos problemas, os seus aspectos políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais.  Sua atuação exigirá criatividade, flexibilidade, iniciativa, autonomia, rigor científico, espírito crítico, visão ética e humanista, preparo para o trabalho em equipe, habilidade em comunicação oral e escrita.

A necessidade de novos profissionais que permitam enfrentar o novo desafio da produção nos termos acima expostos, está sendo evidenciada pela enorme aceitação que os nossos alunos de engenharia física estão tendo nas instituições empresariais e de pesquisa da região de São Carlos, onde aproximadamente 50% deles estão envolvidos em programas de estagio ou desenvolvendo projetos de iniciação científica.  A partir do I-SBEF e do II-SBEF , onde participaram empresas de enorme relevância como a Rhodia, CPqD, Scania, Volkswagen, Embrapa, TAM, Lucent Tecnologies, Hewlett-Packard/Compaq, Opto Eletrônica, Alcoa, Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, Electrolux, Tecumseh, Tektronix, entre outras, e instituições como a AUGM, Embrapa, Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), GATE, Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e o IPEN, entre outras, o universo de opções disponível para os nossos alunos de engenharia física expandiu-se significativamente além da nossa região. Dessa maneira, já é possível visualizar as inúmeras formas de interação desses futuros profissionais, assim como a sua relevância para a inovação tecnológica regional e nacional.

            Com essa formação sólida em ciências básicas e com a capacidade adquirida de aprender o Engenheiro Físico poderá atuar em empresas de base tecnológica e também poderá se converter nas sementes de empresas nas áreas de Física, Engenharia, Biologia, etc.

 

5 . Sumário

 

Neste trabalho, procuramos fazer uma abordagem da formação do engenheiro que a sociedade está almejando. O conhecimento hoje em dia é tratado como o maior patrimônio de uma nação, e também já em muitas organizações. Atuar na formação dos futuros cidadãos é um dever da nação, se essa formação não se concretizar no Brasil rapidamente, estaremos fadados a continuar sendo um país subdesenvolvido (ou em desenvolvimento como preferem alguns). É função das Universidades e/ou Escolas formar profissionais, em particular engenheiros para participarem ativamente do desenvolvimento tecnológico visando implementar inovações tecnológicas e sociais que propiciem o país se desenvolver.

       Os engenheiros brasileiros, em conjunto com outros profissionais, terão uma responsabilidade muito grande no desenvolvimento de novas tecnologias que visem estabelecer o processo de inovação tecnológica que possa ser convertido em riqueza e desenvolvimento social.

Tanto para gerar, como para gerir, o desenvolvimento tecnológico necessitamos de profissionais, geralmente engenheiros, com uma boa formação e capacitados para enfrentar os desafios que o mundo moderno exige. 

       A Universidade Federal de São Carlos - UFSCar tem participado do desafio de formar profissionais capazes e aptos a atuarem nesse mundo globalizado, onde os novos desafios tecnológicos e sociais demandam novos profissionais. E ultimamente está com um novo desafio, que é formar os primeiros Engenheiros Físicos do Brasil.


6. Referências bibliográficas

 

BRITO-CRUZ, C. H.; A Universidade, a Empresa e a Pesquisa que o país precisa, Parcerias Estratégicas n 8 - maio/2000 – Disponível em  <http:/www.dinheirovivo.com.br/projetobrasil/tecnologia/matérias/britocruz.pdf.> – pagina consultada em 01/06/2004

BRITO-CRUZ, C. H. – palestra proferida no I-Simpósio Brasileiro de Engenharia Física - 11 a 16 agosto 2002 - UFSCar– São Carlos

CALDAS, R. A at all  Gestão estratégica em ciência e tecnologia e inovação -  Gestão, Tecnologia e Inovação:visão estratégica – Disponível em <www.mct.gov.br/cee/revista /parcerias11/04ruicaldas.pdf>– pagina consultada em 01/06/2004

CGEE -  Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério de Ciência e Tecnologia, - Relatório de 2002 – Disponível em <www.cgee.org.br/eventos/ relatorio2002.htm> - pagina consultada em 20/05/2004

FIGUEREDO,P. N; Tecnologia e Gestão Empresarial Inovadora; Disponível em <www.fia.com.br/pgtusp/publicacoes/arquivos_cytec/cad33.pdf> – pagina consultada em 01/06/2004

GOIS, A.; Contagem regressiva; Disponível em - <http://www2.uol.com.br/aprendiz /n_revistas/revista_educacao/janeiro02/destaque.htm> pagina consultada em 01/06/2004

MAÑAS, A. V; Gestão de Tecnológica e Inovação – 3ª ed. – São Paulo – Ed. Érika  2001

PIRRO LONGO, W;  A nova Engenharia e o Ensino de Engenharia no Brasil -Teleconferência Engenheiro 2001- Fundação Vanzolini

PIRRÓ E LONGO, W. -  "Reegenharia” do ensino de Engenharia : uma necessidade – 1998 –Disponível em <http://www.engenheiro2001.org.br /programas/ 971207a.doc>  - pagina consultada em 20/06/2003

PÓVOA, J. M.; ARAÚJO-MOREIRA, F. M ; A Engenharia Física na Inovação Tecnológica Regional, Anais do XXXI Congresso Brasileiro de Engenharia – Rio de Janeiro – 2003.

PÓVOA, J. M; A Engenharia e a Inovação Tecnológica; trabalho a ser apresentado no XXXII Congresso Brasileiro de Ensino de Engenharia - Setembro 2004 - Brasília - DF

Relatório apresentado ao Ministério da Ciência e Tecnologia sobre alguns aspectos da Física Brasileira – agosto 2002 – disponível em http://www.cbpf.br/pdf/RelatorioMCT.pdf - pagina consultada em 15/05/2004

SIMONE PALLONE - Incubadora de Empresas no Brasil – 2001 – - Disponível em <www.comciencia.br/reportagens/framereport.htm> – pagina consultada em 20/06/2003

W. PIRRÓ e LONGO -  “A nova Engenharia e o Ensino de Engenharia no Brasil”. Teleconferência Engenheiro 2001

W. PIRRÓ e LONGO -  Seminário "A Engenharia Brasileira: condições e cenários futuros" ; realizado

 no PROMOVE - Brasília - DF em 26/05/2004

W. PIRRÓ E LONGO -  "Reegenharia” do ensino de Engenharia : uma necessidade – 1998 – Disponível em http://www.engenheiro2001.org.br /programas/ 971207a.doc  - pagina consultada em 20/06/2003



[1]  RELATÓRIO APRESENTADO AO MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA SOBRE ALGUNS ASPECTOS DA FÍSICA BRASILEIRA (Agosto de 2002) -

http://www.mct.gov.br/publi/fisica_brasil.pdf

 

 

[2]  www.parqtec.com.br