Aprender, aprender, aprender...

Por Gutemberg Macedo

“Se as organizações também perderem sua capacidade de desenvolver pessoas, elas terão feito um pacto com o Diabo”

Peter Drucker

 



A sociedade neste início de século surfa sobre a quarta onda. Ou melhor, vive sob uma economia global baseada na aquisição de novos conhecimentos, de novas formas de aprendizado e no desenvolvimento de novas competências.

Nessa nova realidade, a capacidade de aprender e adaptar-se às constantes transformações vai determinar o grau de sucesso dos executivos globais. Existem várias razões para você aprender sempre:

1 - Aumento contínuo em informação e conhecimento. As informações de natureza técnica duplicam a cada cinco anos. Se essa informação for verdadeira, metade do conhecimento adquirido em faculdade fica obsoleto antes mesmo da graduação de milhões de jovens, que aspiram ingressar no mercado de trabalho.

2 - O mercado busca indivíduos já preparados e comprometidos com a aquisição de novos conhecimentos e competências. As empresas nacionais e multinacionais exigem cada vez mais de seus colaboradores. E isso inclui novos conhecimentos, novas abordagens de problemas e, sobretudo, criatividade.

3. O aprendizado contínuo é um imperativo, porque o ambiente global dos negócios está em permanente evolução e transformação. A ordem do dia é desaprender para aprender.

4 - O preço da ignorância é muito alto para ser repartido entre profissionais e organizações. Sabemos que a escuridão mental é responsável pela pobreza, pela falta de esperança, pela falta de competitividade, pela falta de produtividade, pela baixa auto-estima e pelo desperdício de talento humano.

Por exemplo, na sua opinião, quem necessita de treinamento e desenvolvimento mais qualificado na tripulação de um Boeing 747: o piloto ou as aeromoças? O primeiro requer no mínimo 10 mil horas de vôo e comprovada experiência, enquanto a segunda necessita apenas de duas semanas de treinamento. Isto significa que quanto mais alto for o nível hierárquico de um profissional, maior deve ser o comprometimento com seu auto-desenvolvimento e o aprendizado contínuo, até porque as conseqüências de seus atos têm efeitos – positivos ou negativos.

5 - O investimento em desenvolvimento significa mais produtividade, mais comprometimento e mais rentabilidade dos negócios.

Thomas O. Davenport, em seu livro Human Capital: What it is and Why People Invest It, inicia o capítulo que trata sobre treinamento com a seguinte indagação: “O que adiciona maior valor à produtividade: 10% de aumento nos gastos com treinamento e desenvolvimento ou 10% de aumento em capital?”. Sua resposta é categórica: “Coloque seu dinheiro em educação”. Baseado em pesquisa feita pelo “National Center on The Educational Quality of the Workforce” e administrado pelo U.S. Bureau of the Census Davenport diz: “Dez por cento de aumento em educação resultaram em 8,6% de aumento em produtividade e 10% de aumento em capital geraram apenas um aumento de produtividade de 3,4%”.

Observando o mesmo raciocínio de Thomas O. Davenport, a Watson Wyatt Worldwide descobriu uma semelhante associação entre educação (“saber”) e desempenho. Seu Humam Capital Index Reseach (ou seja, índice de pesquisa de capital humano que inclui 405 companhias) confirma que treinamento e desenvolvimento são ações fundamentais para o crescimento dos profissionais.

Num outro estudo, conduzido pela mesma organização, e intitulado “Competencies and the Competitive Edge (ou seja, As competências e o limite da competitividade com 1.200 empresas participantes) concluiu que 70% das empresas com resultados financeiros acima da média de mercado afirmam que tal conquista é fruto direto do investimento feito no desenvolvimento de pessoas”.

Benjamin Franklin (1706-1790) proclamava nos seus dias: “Investir em conhecimento é o que rende melhores juros”.

À luz dessa realidade, consideramos que as empresas deveriam investir pesadamente no treinamento e desenvolvimento de seus profissionais, a fim de torná-los globais.

A agenda proposta para o projeto de desenvolvimento de executivos globais deverá incluir vários tópicos em nossa visão.


Aprender a gerenciar a si mesmo e sua carreira, a fim de evitar a imagem de “feitor global”, isto é, de um mero executor de ordens emanadas da matriz sem qualquer reflexão e adaptação a seu meio ambiente.

Aprender sobre as verdadeiras qualidades de um líder global e colocá-las em prática: visão de negócios e criatividade para desenvolvê-los; estilo administrativo compatível com princípios éticos, missão e política empresarial; consciência de seu papel como modelo para toda a organização; ambição contínua para produzir sempre mais.

Aprender a tratar os problemas complexos de relacionamento com a matriz, superiores, sindicatos, governo, mídia, políticos e os próprios subordinados.

Aprender a tratar questões culturais e diferentes culturas.

Quando contemplamos o atual quadro da economia global – concorrência, imprevisibilidade, explosão de novas teorias gerenciais e novas tecnologias, velocidade da informação, concentração da riqueza em poucas mãos, volatilidade do capital etc – mais e mais nos convencemos da importância do desenvolvimento do capital humano.

 

 

Publicado na revista Você S/A - edição 60 - Ed. Abril